Qual raça de cão é a mais inteligente?

Qual raça de cão é a mais inteligente?

Aprendizagem e raciocínio são características que podemos ver através da linguagem corporal e do comportamento dos nossos pets. Saiba mais sobre a cognição canina

Ainda hoje muitas pessoas questionam algo que na verdade já é evidente: os animais possuem inteligência e sentimentos. A maioria absoluta dos cientistas acredita que eles sejam capazes de pensar, de uma forma diferente dos humanos e, ao mesmo tempo, possuem sapiência em diferentes graus. Aprendizado, raciocínio, formação de planos e sentimentos – como medo, alegria, tristeza, ansiedade, afeição e agressividade – são características que notamos através da linguagem corporal e do comportamento dos pets. Não existem cães “inteligentes” ou “burros”, pois não há somente um tipo de capacidade mental. Assim, cada um possui habilidade diferente de resolver os problemas do dia a dia.

Pesquisas comprovam que o funcionamento do nosso cérebro não é tão diferente dos animais. Essas novas descobertas não têm apenas valor científico, mas também social: se eles são capazes de sentir emoções, então, temos mais uma razão para tratá-los com respeito e colocar novos esforços na tentativa de melhorar a nossa comunicação.

Foto cedida

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A curiosidade é uma característica nata da espécie canina: permita-o aprender por experimentação

Ao longo das gerações, cães e gatos foram selecionados geneticamente para algumas características físicas e comportamentais, enquanto algumas capacidades também foram desenvolvidas. Talvez seja impreciso afirmar que uma raça seja mais inteligente do que a outra. Acredito que uma determinada possua habilidades e tipos de inteligências mais desenvolvidas do que outras. Apenas isto.

A raça Border Collie tem a fama de ser a mais inteligente, seguida por Poodle, Pastor Alemão e os Retrievers. Entretanto, todos os cães possuem inteligência singular e própria. Atualmente, os cães são divididos em raças baseadas principalmente em suas características morfológicas, entretanto, nem sempre foi assim. Antes, eles eram divididos com base em sua função: caça, companhia e guarda. Cães utilizados para matar e atacar touros – com mandíbulas fortes e protuberantes para agarrar o focinho do herbívoro, narinas largas e dilatadas para respirar durante o ataque – eram características interessantes e que moldaram os que chamamos na atualidade de Bulldogues.

A Neurociência e a Tecnologia da Computação ressaltaram graves falhas na ideia de se medir a inteligência de modo unidimensional. Um indivíduo pode ter uma memória notável ao se recordar de fatos e eventos com precisão incrível e, ao mesmo tempo, não ter sido um bom aluno nem ter boa memória em sua rotina. A genialidade canina se baseia em dois critérios: capacidade mental e habilidade espontânea de fazer inferências, ou seja, ao invés de resolver o problema por tentativa e erro, mesmo quando os cães não conseguem ver a solução correta, podem imaginar soluções diferentes e escolher uma, tornando-se assim, mais maleáveis. Podem resolver uma nova versão de um problema que viram antes ou espontaneamente solucionar novos problemas com os quais jamais se depararam.

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O focinho "chato" dos buldogues permitia com que mordessem os touros e conseguissem respirar ao mesmo tempo sem soltar.

O focinho “chato” permitia aos Bulldogs morder os touros e respirar ao mesmo tempo

A maioria das raças que conhecemos hoje possui menos de 150 anos de seleção. Os pesquisadores descobriram que as mais antigas, Chow chow, Huskie e Basenji, eram as menos adestráveis e mais tímidas, por serem mais próximas dos lobos. O conjunto Mastim e Terriers (Bulldogues, Pitbulls e Mastins) se revelou mais ousado, enquanto os cães de pastoreio e rastreio (Borders e Galgos) foram os mais sociáveis e adestráveis. O grupo menos sociável foi o Montanhês, como o Cocker Spaniel Inglês e o São Bernardo.

Mas, afinal, qual é a raça mais inteligente? Depende da Comunicação. Sem dúvida, o monitoramento do olhar humano é um item valioso no conjunto de ferramentas cognitivas do cão. Pesquisadores descobriram que os Retrievers levam mais tempo olhando o rosto do dono do que os outros quando tentam obter recompensa alimentar. Os cientistas sugerem que  isso ocorra porque essas raças precisam interagir mais com os humanos para entender onde caiu a presa para que possam apanhá-la. Além do mais, o modo de criação de cada indivíduo pode interferir nessas avaliações de inteligência.

Quando se fala de diferenças raciais o que importa é o seguinte: se você acha que o seu cão é o mais inteligente, não há evidência científica que corrobore para isso, todavia, também não há certeza para contradizê-lo, pois muitos fatores, inclusive a criação, interferem nesse aspecto, tornando muito difícil estudar a inteligência dos cães.

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Os Retrievers são cães que fazem muito contato visual com os humanos – recompensa alimentar

A grande revolução nas descobertas sobre cognição canina foi a de que quando começaram a ser domesticados os cães passaram a ser muito parecidos com bebês humanos em termos de comportamento e habilidades comunicativas, isso em comparação com os lobos, conferindo-lhes um novo tipo de inteligência social. Depois do ser humano, o cão, com certeza, é o mamífero mais bem sucedido do planeta. Levando em consideração esses fatores, o desafio é saber como nos comunicarmos da melhor forma possível com os nossos companheiros, desenvolver laços permanentes e identificar suas habilidades. Portanto, preste atenção na linguagem corporal do seu animal e até mesmo na sua. Talvez ele esteja tentando lhe dizer algo que você ainda não entendeu! Divirta-se! Boa semana!

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