Meu bicho de estimação está partindo… e agora?

Meu bicho de estimação está partindo… e agora?

Aceitar a morte faz parte de nossas vidas e precisamos aprender a lidar com esta situação de uma forma mais tranquila e menos dolorosa

Logo que compramos ou adotamos um cãozinho ou um gatinho e os recebemos em casa, percebemos o quanto esses seres são capazes de nos trazer alegria, renovando a energia do nosso lar. Esses companheiros, sejam eles caninos ou felinos, chegam para nos fazer mais felizes. No entanto, não nos preparamos para o momento da despedida.

Nossos companheiros envelhecem numa velocidade muito mais rápida do que nós. Naturalmente, enfrentarão a senilidade ao nosso lado. É nossa responsabilidade proporcionar conforto e carinho nesse período. A partir do momento em que passamos a ter a percepção ou mesmo quando os veterinários nos dão a notícia de que o fim do nosso estimado pet está próximo, acredito muito na influência de nossos pensamentos e energias sobre eles. Desta maneira, recomendo atitude positiva e realista em relação a isso.

Foto cedida

Dra. Janaina recomenda atitude positiva e também realista em relação ao tratamento dos pacientes

Dra. Janaína recomenda atitude positiva e realista em relação ao tratamento dos pacientes senis

Animais com câncer terminal, doenças degenerativas graves ou que de alguma forma enfrentam enfermidade com risco iminente de morte, devem receber tratamento diferenciado, não somente em relação à Medicina Veterinária convencional, mas também com apoio psicológico, que proporcione bem-estar a eles, para que façam a transição no momento da morte em paz.

O uso de medicamentos, como opióides, anti-inflamatórios, analgésicos, florais etc, é recomendado pelos profissionais, entretanto, o aconselhamento psicológico e as mudanças no ambiente para confortar o animal muitas vezes ficam esquecidos. Facilitação do acesso aos comedouros e bebedouros, aquecimento ou resfriamento do ambiente, higienização, mudanças de decúbito, cadeirinhas de roda e outros acessórios para proporcionar mobilidade, adequação do piso, entre outros, também fazem parte dos cuidados paliativos necessários para o tratamento do ser em estado terminal. O mais importante é termos a consciência de que sempre há algo a ser feito. A doença pode não ter cura, mas sempre existe alguma forma de aliviar o sofrimento e proporcionar dignidade ao animal.

O termo ortotanásia significa “morte correta”, ou seja, falecimento natural, em que o paciente já está em processo de morte e recebe a ação do médico veterinário para que este estado siga seu curso normal. Desta forma, diante de dores intensas sofridas pelo paciente terminal, consideradas como intoleráveis, o profissional deve agir para amenizá-las. Quando se prolonga artificialmente o processo de morte, o termo é denominado distanásia. Já o termo eutanásia, mais utilizado em Medicina Veterinária, é o ato de proporcionar morte sem sofrimento ao doente atingido por afecção incurável que lhe causa dores intoleráveis. Nós, veterinários, passamos muitas vezes por situações nas quais temos que decidir sobre fazer ou não, indicar ou não, negar ou não.

Foto cedida

A doença pode não ter cura, mas sempre há alguma forma de aliviar o sofrimento e proporcionar dignidade ao pet terminal

A doença pode não ter cura, mas sempre há formas de aliviar o sofrimento e dar dignidade ao pet

O Conselho Federal de Medicina Veterinária disponibiliza o Guia Brasileiro de boas práticas para eutanásia de animais, material que visa a proporcionar morte digna, seguindo orientações para um procedimento sem dor e realizado dentro de um determinado contexto. A eutanásia de animais pode ser recomendada quando o bem-estar estiver comprometido de forma irreversível, sendo um meio de eliminar a dor e/ou sofrimento.

Reprodução – site Cultura & Saúde

"The doctor" de Luke Fildes (1891). A pintura foi inspirada na morte de seu filho devido a uma doença incurável e na devoção profissional do médico que lhes deu assistência

“The doctor”, de Luke Fildes (1891) – inspirada na morte do filho do pintor e na devoção do médico que assistiu a criança

“A verdade é que a Medicina não pode afastar a morte indefinidamente. A pergunta fundamental não é se vamos morrer, mas quando e como teremos de enfrentar essa realidade? Quando a terapia médica não consegue mais atingir os objetivos de preservar a saúde ou aliviar o sofrimento, tratar para curar torna-se uma futilidade ou um peso e, mais do que prolongar vida, prolonga-se a agonia. Surge então o imperativo ético de parar o que é inútil e fútil, intensificando os esforços no sentido de proporcionar mais que quantidade, qualidade de vida diante do morrer” (Fonte: http://revistabioetica.cfm.org.br/).

A questão demanda bom senso e cada situação deve ser interpretada e analisada para que essa difícil decisão possa ser tomada de forma consciente e respeitosa, levando em consideração que os animais são indivíduos que lutam por sua sobrevivência e são sencientes, ou seja, sentem e sofrem de forma similar aos seres humanos. Há que se levar em consideração a condição de saúde mental e orgânica do animal, bem como o ambiente onde vive. As crenças de veterinários e tutores têm peso na decisão. Como a morte é algo certo, temos que torná-la mais digna. Nossos animais queridos precisam do nosso apoio. Não os abandonemos nem os deixemos tristes e apreensivos. Proporcionemos paz, carinho e serenidade a eles nesse momento difícil.

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